BÍBLIA E ANTROPOPATIA

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Antropopatia, que palavrão é este? Bem, antes de falar um pouco desta palavra rebuscada – antropopatia – façamos uma breve reflexão, sobre a palavra de Deus escrita, a Bíblia.

Sim, esta palavra ou termo tem muito a nos dizer dentro do contexto bíblico. Bem, cremos em Deus, único e verdadeiro. O Deus que é narrado na Sagrada Escritura e que é autor de tudo o que existe no campo visível (físico) e invisível (metafísico).

Portanto a Bíblia fala de religiosidade e religião, em primeiro momento do judaísmo e em segundo, no fundamento de nossa fé cristã.

TEXTOS DA BÍBLIA

Neste momento, lamento, não conseguirei fazer uma abordagem completa, sobre todos os textos bíblicos, de Gênesis ao Apocalipse e nas suas mais minuciosas explicações, mesmo porque, me falta este conhecimento, sou só um catequista.

Muito do que publico aqui no Catequese do Leigo, parte de uma reflexão de um leigo que busca amar a Jesus e sua Igreja. Portanto perdoe-me.

Mas então o que quero aqui dizer? Neste tópico é dizer e lembrar alguns pontos fundamentais, que muitos de nós esquecemos e ficamos maravilhados apenas pelo superficial. E o que esquecemos?

Bem, esquecemos que a Bíblia não é um livro mágico, não foi escrito por uma única pessoa, mas por várias, de diferentes culturas e de vários tempos, muito diferente do nosso. E além disso, o primordial, ela, a Bíblia não é de interpretação pessoal (2 Pd. 1, 20).

Portanto a Igreja, guiada pelo Espírito Santo tem autoridade definitiva para interpretar a Sagrada Escritura, pois ela, nasceu no seio da Igreja. Quem veio primeiro, a Bíblia ou a Igreja, sem medo de erro ou receio de resposta, a Igreja.

Então, não leia a Bíblia como um livro de sorte, como um livro de mágica, quem o faz assim, reduz toda a essência e grandiosidade que a Palavra de Deus escrita nos reserva, reduzimos ela a um simples “mal me quer, bem me quer“.

Existem livrarias católicas como a Loyola, Paulus, Vozes e Ave Maria que estão repletas de materiais acerca dos livros bíblicos e de que forma devem ser lido e entendidos e principalmente desmistificados.

Portanto temos fé de que a Bíblia é de fato uma inspiração divina e que foi guiada por pessoas inspiradas por Ele (Deus). Mas não use os textos bíblicos para respostas de tudo e para tudo, nem mesmo ela afirma isso.

ANTROPOPATIA – SENTIMENTOS DE DEUS

Agora vamos diretor ao ponto. Bem, muitas vezes ao ler alguns textos bíblicos, ficamos confusos em não entender alguma determinada narrativa, quando não ficamos confusos.

E por ter fé na Palavra de Deus, não questionamos, o que ao meu ver, não questionar pode ser pior do que a confusão. Ao questionar estamos mostrando nosso desejo em mergulhar mais e mais na profundidade de nossa fé e em nosso Deus.

E quando apenas aceitamos, ficamos a margem deste imenso oceano, é muito fundo, mergulhar exige um tanto de coragem, paciência e acima de tudo aprendizado também.

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Chega de conversa, o que o termo ANTROPOPATIA tem a ver com os textos bíblicos? Muito. E o que significa antropopatia? A palavra como tantas outras, provém do grego, a palavra é formada por dois termos, antrophos que significa homem e pathos que significa sentimento.

Em alguns momentos os textos bíblicos nos trazem algumas referências sobre expressões humanas sentidas por Deus. Temos por convicção que Deus é imutável e perfeito. Logo, Deus não muda de ideia ou sofre.

Explicando melhor, vejamos alguns textos bíblicos que nos apresentam de forma melhor esta referência, em Gênesis:

O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de íntima dor

(Gn 6, 6).

Perceba, Deus sendo perfeito e imutável “arrependeu-se”,  sofreu por “íntima dor”. Estas expressões encontradas nos textos bíblicos é denominada de antropopatia, isso que dizer, que expressões humanas foram atribuídas a Deus por seus autores.

Mas como assim? Veja, Deus não sussurrava palavra por palavra o que os autores sagrados escreviam, mas os INSPIRAVA a escrever. Por isso dizemos que os textos bíblico são inspirados por Deus.

O que não significa que os textos não sejam divinos, no entanto contém da vivência e compreensão humana de cada autor sagrado na composição dos textos bíblicos.

É comum encontrar nos textos bíblicos várias colocações de forma antropopática. Estas formas humanas de representar a Deus também nos diz que embora Deus seja um ser perfeito e imutável, Ele não indiferente ao sofrimento humano e se aproxima com uma olhar maior de um Deus que nos acolhe e compreende nossas limitações humanas.

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O assunto parece complexo, mas basta entendermos que existe um contexto literário e uma forma de redação, utilizada pelos autores para expressar e demostrar o agir do povo e como eles acreditavam ser a ação de Deus.

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Sou ex-espirita, moro em Maringá -PR. Gosto de falar sobre religião e sobre a fé católica. Tenho interesse pela catequese de adultos. Sou formado em Administração. Gosto de Sistemas de Informação e Redes Sociais. Também gosto de programação para internet. Seja Bem Vindo.

2 Responses

  1. Rildo

    Marcelo, a paz esteja convosco! Que bom, aprendi mais uma coisa: Antropopatia… E como é bom aprender, já me debrucei inúmeras vezes sobre o estudo dos gêneros literários (Tendo uma formação lógica imagine minha dificuldade), por acreditar que: Se não souber o contexto, vira pretexto… Mas não conhecia a antropopatia. Obrigado irmão.

    • Catequista

      Paz esteja contigo também Rildo. Que bom ter sua presença aqui no Catequese do Leigo. Mais uma vez me alegro de saber que você pode encontrar algo que colabore com sua fé e conhecimento. Creio que a catequese é isto mesmo, é um mergulhar na descoberta da raízes da nossa Igreja e da nossa fé. Um grande abraço.

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