INQUISIÇÃO: POR QUE SURGIU O TRIBUNAL NA IGREJA – PARTE III

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O tribunal da Inquisição não é algo simples de se entender principalmente com a ótica de nosso tempo. E além disso o tribunal da Inquisição sofre de grandes mentiras inventadas ao logo da história.

Todas as vezes que se fala sobre a Inquisição entre o meio católico, erroneamente, ficamos sem saber o que dizer. Isso se dá pelo fato de muitos de nós termos sido ensinados nas escolas que a Inquisição foi algo ruim dentro da Igreja.

Raramente se comenta por que de fato o tribunal da Inquisição foi instituído e qual era sua função dentro da sociedade medieval.

o tribunal da santa inquisiçao o santo oficio

O TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO: POR QUAL MOTIVO?

Antes de continuarmos, é preciso entender algo primordial. Desde o inicio do Cristianismo, a Igreja se preocupou em preservar a Doutrina recebida de fora pura.

Na carta a Tito, no capítulo 3 dos versículos 8 até 11, podemos perceber que os primeiros cristãos tinha dificuldades em não relativizar a Fé Católica envolvendo o Judaísmo:

Certa é esta doutrina, e quero que a ensines com constância e firmeza, para que os que abraçaram a fé em Deus se esforcem por se aperfeiçoar na prática do bem. Isto é bom e útil aos homens. Quanto a questões tolas, genealogias, contendas e disputas relativas à lei, foge delas, porque são inúteis e vãs. O homem que assim fomenta divisões, depois de advertido uma primeira e uma segunda vez, evita-o, visto que esse tal é um perverso que, perseverando no seu pecado, se condena a si próprio. (Tito 3, 8-11)”

Esta narrativa da carta de Tito, é a apenas um dos vários exemplos dos problemas que a Igreja enfrentava logo no primeiro século do Cristianismo.

O tipo de problema enfrentado pelos primeiros cristãos, eram relacionados principalmente aos novos cristãos convertidos vindo do Judaísmo.

Muitos judeus convertidos, ainda apegados na lei mosaica, criavam contendas com relação a Doutrina Cristã. Paulo, diz categoricamente, “foge delas…e evita quem trás tais divisões entre os cristãos”.

Obviamente, embora houve uma prevenção e preocupação de guardar a legítima Fé da Igreja de Cristo, não havia a Inquisição.

UM DOS PRINCIPAIS MOTIVOS DO TRIBUNAL

O surgimento de um tribunal eclesiástico deu-se a principio no pontificado do Papa Gregório IX (1227 até 1241). No entanto a Igreja sempre pronunciou contra movimentos contrário a Fé deixada pelos Apóstolos, a Fé Católica.

Estes movimentos traziam formas distorcidas do Evangelho e da Doutrina, com a pretensão de alterar a Doutrina da Igreja, escolhendo no que e como crer. A isto, dentro da Fé Cristã, dá-se o nome de HERESIAS.

Logo é importante deixar algo bem claro, o tribunal da Inquisição foi criado para defender a Fé Católica dos próprios católicos. A Igreja não levava para a Inquisição pessoas de outra religião, judeu ou muçulmano por exemplo.

Outra questão que não se pode perder é que a palavra Inquisição quer dizer AVERIGUAÇÃO, a Inquisição, indagava ou averiguava os fatos junto o acusado de heresia.

A Inquisição portanto surgiu como um tribunal, a principio, para verificar o problema da heresia e buscar no herege sua retratação.

HERESIA COMO CRIME

No ano de 313 o imperador Constantino dá a liberdade religiosa para os Cristão. Em 380 o Cristianismo torna-se religião oficial do estado de Roma.

Deste modo, os sucessivos imperadores tornam crime contra a Fé do Império os que eram declarados hereges, neste período, também houve conflitos com os judeus.

O Código de Direito foi se solidificando na esfera do Estado Romano, e os conflitos religiosos também eram problemas do Estado.

No livro “A Inquisição em seu Mundo” o autor João Bernadino Gonzaga relata esta construção do poder Cível inclusive sobre a própria Igreja:

O Direito romano cria a figura do crime de lesa-majestade divina, que, equiparando-se ao de lesa-majestade contra o Poder civil, vem a ser enfrentado com crescente severidade. Contra ele, as pen as mais utilizadas pela legislação secular foram as de morte, de exílio e a confiscação de bens. Esses textos acabaram sendo afinal incluídos no Código Teodosiano e no Código Justiniano, vindo assim a influenciar o Direito dos séculos posteriores“. (A Inquisição em seu Mundo p. 93)

O JULGAMENTO POPULAR

Além do envolvimento do Estado nas decisões eclesiásticas, havia também o problema dos populares. Como a investigação do processo inquisitório era minucioso, por vezes os próprios populares faziam “justiça” atacando os hereges.

Em Soissons na França, em 1120, vendo que o bispo demorava para justiçar alguns hereges, uma multidão impaciente os arrancou das suas mãos, para levá-los de imediato à fogueira“. (A Inquisição em seu Mundo p. 93)

Lembre-se, nunca perca a ótica da Idade Média, não se pode considerar as ações populares com a visão que temos em nossos dias.

Finalizando esta parte, o tribunal da Inquisição surgiu para defender a fé das heresias e evitar que as pessoas fossem condenadas sem julgamento.

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Sou ex-espirita, moro em Maringá -PR. Gosto de falar sobre religião e sobre a fé católica. Tenho interesse pela catequese de adultos. Sou formado em Administração. Gosto de Sistemas de Informação e Redes Sociais. Também gosto de programação para internet. Seja Bem Vindo.

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