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A ORIGEM DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NA IGREJA DO BRASIL

A Teologia da Libertação ou simplesmente TL foi um movimento crescente dentro da Igreja Católica, que teve sua mais elevada adesão nos anos 60, 70 e 80. Se você não conhece, ou conhece pouco sobre a Teologia da Libertação, esta postagem irá buscar apresentar alguns pontos em que você irá poder tirar suas dúvidas quanto a este movimento, além de apresentar o problema que a TL criou dentro do pensamento católico no Brasil.

Teologia da Libertação

ONDE TEVE ORIGEM A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

Bem primeiro vamos entender porque este movimento recebe este nome de TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, para que assim possamos ir os poucos  entendendo sua dimensão dentro do pensamento cristão.

A Teologia como área de conhecimento pode abranger estudos específicos dentro de outras dimensões e mais precisamente no campo da FÉ.

Então, você irá encontrar por exemplo vários ramos ou campos da fé com estudo teológicos, que por sua vez irá ter uma raiz filosófica. Para ficar mais claro veja alguns exemplos:

  1. Teologia Dogmática
  2. Teologia Sacramental
  3. Teologia Moral

Perceba que, nos exemplos citados acima, que a Teologia tem um “lugar” um campo de atuação, onde ela irá se “debruçar” como fonte de conhecimento para assim o explicar.

Tome como base, por exemplo a Teologia Moral, o “lugar” de abrangência onde a Teologia irá se aplicar é na área da Moral, a Moral Cristã.

Bem, entendido isso, fica compreensível entender agora o conceito da atuação proposta pela Teologia da Libertação, ou seja, é o conhecimento teológico encontrando raízes em uma libertação.

Mas que libertação será esta, apresentada por este movimento como proposta teológica? Bem, a princípio, é a libertação do povo oprimido, do pobre e do trabalhador.

Você deve estar pensando, “Mas encontrar uma razão teológica para o pobre e assim trazer uma igualdade fraterna não é algo bom?

A resposta é, SIM, É CLARO QUE É, E A IGREJA SEMPRE O FEZ, sem necessariamente explorar com campo teológico para isto. Mas então, qual o problema?

CORRENTES “TEOLÓGICAS” DA TL

Como já observamos a TL é um misto de um movimento sócio religioso que tem por intenção caracterizar o pobre como “lugar” teológico.

Sendo assim, inicia-se um discurso dentro da Igreja de “OPÇÃO PREFERENCIAL PARA OS POBRES“. Embora este tipo de afirmação possa ser coerente, é necessário entender a raiz de tudo.

Algumas pessoas irão dizer que a Teologia da Libertação tem sua origem no Concílio Vaticano II, o que não é verdade. O movimento da TL tem origem dentro do ambiente europeu.

Abaixo cito dois personagens que contribuíram significativamente pensamento do movimento TL, sendo eles:

  1. Paul Johannes Oskar Tillich
  2. Jürgen Moltmann

Havia outros envolvidos com tal pensamento que desencadeou a Teologia a Libertação, mas para sermos objetivos será falado apenas destes dois.

Paul Tilich (Paul Johannes Oakar Tillich), Teólogo de formação, foi um pastor protestante de origem polonesa, mas que viveu nos Estados Unidos. Lecionou Teologia e Filosofia.

O pastor Paul Tillich que também era um anti-nazista, e isto é louvável, criou um grupo denominado de “socialismo religioso“.  O movimento criado por ele se colocava contra os desastres causados pelas guerras.

No entanto o movimento socialismo religioso de Paul Tillic possuía raízes de uma filosofia existencialista. O pensamento existencialista, coloca o homem como seu próprio “agente libertador“, dando enfase a realidade terrena, sem necessariamente haver um envolvimento sobrenatural ou transcendental.

Logo, este tipo de segmento filosófico se contrapõe a realidade de que Cristo é quem nos liberta. Cristo é o fim maior de toda a existência humana.

Veja aqui caso você deseje saber mais sobre o pensamento de Paul Tillic ou mais sobre sua bibliografia e trabalhos.

Falemos um pouco sobre outro personagem expressivo para o desencadear do movimento da TL, Jürgen Moltmann. Este também de origem alemã.

A SEMENTE DO PENSAMENTO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

Moltmann também era Teólogo, foi soldado do exército alemão, passou dificuldade no período da guerra, chegando a ser preso. Em seu “pensamento teológico” cria o movimento Teologia da Esperança. E é aqui que está basicamente a “semente” da Teologia da Libertação.

Vale também comentar que, assim como Paul Tillich, Montmann é um Teólogo não católico ou seja, de formação e atuação protestante.

O movimento da Teologia da Esperança de Moltmann, apresenta uma proposta com a tentativa de “corrigir” o modo como Cristo foi apresentado pela Igreja. Veja:

[…] que é um homem animado de enormes esperanças, mas também corrigir um a grave distorção que a Igreja antiga realizou em relação à figura de Cristo e à sua mensa­gem , quando as interpretou à luz da filosofia grega, […]

Como se percebe Moltmann quer apresentar um outro Cristo, um Cristo que não foi entendido ou que foi distorcido pela Igreja. Moltmann também considera uma Igreja diferente:

Hoje, em todos os seus simples aspectos, um a eclesiologia deverá levar em conta pelo menos estas quatro dimensões: a Igreja de Cristo, a Igreja missionária, a Igreja ecumênica e a Igreja política.

Para o teólogo a Igreja que é de Cristo, que também é missionária,  deve abraçar como doutrina o ecumenismo e a política. Se você ainda não percebeu estes dois argumentos sintetizam a base da Teologia da Libertação.

Unindo o pensamento socialista e existencialista de Paul Tillich e o conceito de esperança teológica de Moltmann constrói-se os fundamentos basilares da TL.

teologia da libertacao influencia na igreja

INFLUÊNCIA NO BRASIL

O maior expoente da Teologia da Libertação no Brasil é Leonardo Boff (ex frade franciscano) seu nome verdadeiro é Genézio Darci Boff. Nascido em Santa Catarina Leonardo Boff propaga a TL basicamente em todas as camadas eclesiais e leiga.

Uma das ferramentas utilizadas pela TL na Igreja, aqui no Brasil, foi a chamada CEBS (Comunidade Eclesial de Bases). As CEBS geralmente são reuniões domésticas que se valem da para argumentos de ideologia POLÍTICA.  Veja aqui o portal das CEBS para saber mais.

Além de Leonardo Boff, há outros nomes expressivos que propagaram a ideologia deste movimento no Brasil e na América Latina. Citamos alguns:

  1. Frei Beto (Brasil)
  2. Jon Sobrino (El Salvador)
  3. Leônidas Proaño (Equador)
  4. Juan Luis Segundo (Uruguai)

Os problemas da Teologia da Libertação como movimento pastoral o mesmo uma forma de encarar o cristianismo e de fato perigos.

Por ter suas raízes em alicerces protestantes, a TL anseia por exemplo por uma Igreja sem hierarquia, o que contraria a Fé Católica.

Além dos alicerces protestantes, a Teologia da Libertação contém ligações fortes com o pensamento Marxista, sendo portanto Materialista. O Marxismo em sua prática como em sua teoria é condenada pela Igreja.

A teoria Marxista despreza a existência de Deus, assim como a Igreja e a religião. Para compreender melhor, se discorrer diretamente no Materialismo de Karl Marx, emprega-se que, todos os trabalhadores são oprimidos e que que os patrões são os opressores.

Para Karl Marx, há sempre oprimidos e opressores, sendo que os opressores se valem do esforço continuo dos oprimidos para se fartarem ou continuar no poder.

O PENSAMENTO MARXISTA DE LEONARDO BOFF

Leonardo Boff utiliza o mesmo engenho Marxista para com a Igreja e a hierarquia contida nela. Veja por exemplo o que é dito em seu livro:

“[…] detêm o poder, criam e controlam o discurso oficial […] elaboram a sua correspondente teologia, que vem justificar, reforçar e socializar o seu poder, atribuindo origem divina à forma histórica de seu exercício” p. 75, 76 (Igreja, Carisma e Poder Editora Vozes – Petrópolis, RJ, Brasil, 1981)

Nota-se pelas palavras de Leonardo Boff em seu pensamento Marxista, que a Igreja, Corpo de Cristo, é portanto opressora em sua base hierárquica.

A Teologia da Libertação trouxe vários pensamentos contrários a fé que se infiltraram no conviveu comunitário em diversas dioceses do Brasil.

Estes pensamentos podem ser resumidos em:

  1. Dessacralização – falta de importância aos sacramentos
  2. Desprezo pelo sacerdote – falta de importância do ministro ordenado (padre)
  3. Clericalização do leigo – atribuir o ministério do sacerdote para um leigo
  4. Subjetividade da fé – cada qual tem sua fé sem a direção da Igreja

É sempre comum observar os discursos da Teologia da Libertação em pregações ou mesmo formações. Basta perceber jargões como “o pobre sofredor”, “o pobre oprimido”, “a luta do povo trabalhador”. Porém agora há um outro revestimento que sublima a TL, a ecologia.

Você também poderá gostar de ver uma outra postagem do Catequese do Leigo:

Este post não busca esgotar o assunto, mesmo porque sua abrangência atinge os 40 anos de existência que permeia vários conflitos e confusões.

Espero que tenha gostado, deixe seu comentário logo abaixo e também assine a lista do Catequese do Leigo. Abraços.

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Autor Catequese do Leigo catequesevirtual@gmail.com

Sou ex-espirita, moro em Maringá -PR. Gosto de falar sobre religião e sobre a fé católica. Tenho interesse pela catequese de adultos. Sou formado em Administração. Gosto de Sistemas de Informação e Redes Sociais. Também gosto de programação para internet. Seja Bem Vindo.

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8 Comentários

  1. frankmar lemos maciel disse:

    gostei muito de saber sobre este assunto da teologia da libertaçao, pois não conhecia, agora estou um pouco por dentro. muito obrigado por nos trazer este conhecimento um abraço que a paz de jesus e o amor de maria esteja com voce.

    • Catequista disse:

      Olá Frankmar, muito obrigado por suas palavras e por seu comentário. Sempre que puder deixe seu comentário ou entre em contato com suas dúvidas e sugestões, isso ajuda muito o Catequese do Leigo. Há muitas outras informações sobre a Teologia da Libertação que pretendo periodicamente postar aqui no Blog. Abraços.

  2. O pior de tudo isso é que ainda tem muitos Sacerdotes na Igreja Católica com esse raciocínio, e dessacralização. Deus nos dê sabedoria para distinguir uns dos outros. Salve Maria!

  3. Daviera Silva disse:

    Obrigado pelo artigo, é sempre muito bom esclarecermos este mal para o maior número possível de pessoas!!! Gostaria de saber o que pensa a respeito das afirmações de teólogos(?) como Leonardo Boff, que bradam que “o papa Francisco é um de nós”. Alguns veículos de comunicaçao inclusive afirmam que existe um contato e proximidade entre o papa e Boff, e vários movimentos ligados à TL estão saindo de suas criptas no atual pontificado…. a tal igreja em saída seria a revitalização da TL com a bênção do papa, ou estão se aproveitando do papa como instrumentalização para justificar seu movimento?

    • Olá Daviera. Muito obrigado por seu comentário aqui no Blog. Espero encontra-lo aqui mais vezes. Sobre suas questões, que são pertinentes, eu penso o seguinte.

      Nenhum teólogo está acima do Magistério da Igreja, muito menos de um pontificado. Qualquer teólogo, modernista ou não, não tem e nunca terá autoridade para ditar os caminhos da Igreja, nunca teve.

      A Igreja é servida pela teologia e não o contrário. A teologia está a serviço da Santa Igreja. Então pouco me importa o que esse ou aquele teólogo diga. A Igreja é a única bússola.

      Eu particularmente sou muito fã do Pe. Quevedo, mas sei que muito do que ele diz, dentro da teologia, não é o que a Igreja ensina. Então só me vale aquilo que é bom e está de acordo com a Santa Igreja.

      Devemos ter cumplicidade com o Papa Francisco, ele é o cabeça visível aqui na terra, rezemos por ele. Sabemos que o Papa Francisco tem a autoridade petrina quando nos ensina sobre Moral e Fé, o que fugir disso devemos recorrer ao Catecismo e aos escritos dos Santos Padres.

      Rezemos pelo nosso Papa para que ele permaneça firme, sólido, rocha segura da barca de Pedro.
      Viva Cristo Rei.
      Viva o Papa.

      • Daviera Silva disse:

        oi, Marcelo. Gostaria de poder compartilhar do seu otimismo e da devoção para com o atual pontificado… mas as reformas que ele está realizando estão virando a Igreja de cabeça em pé, praticamente desfazendo todo o excelente trabalho de JPII e Bento XVI, graças ao qual me converti….
        magnum principium, amoris laetitia, perseguição aos franciscanos da imaculada a quem é mais conservador, reabilitação de teólogos e padre sandinista, além do perigo iminente que vai ser o próximo sinodo pan amazônico, são alguns dos fatores que me deixam preocupado com o futuro da mae e mestra da verdade…talvez o maior problem d Francisco seja dar ouvido demais a Claudio Hummes, as vezes acho que este é o verdadeir papa…

        • Daviera que bom poder partilhar com você. Que bom saber que existem católicos fieis a Santa Igreja. Sem ditames do que é modernismo ou conservadorismo. A Igreja é sempre o que é.

          Posso dizer também que me preocupo com os caminhos que os pastores da Igreja acabam seguindo, e quando digo pastores, digo de Bispos e Padres.

          Mas sempre que me ponho a pensar nestas questões logo penso “As portas do inferno jamais prevaleceram“… Se há que acontecer fatos para que se cumpra tudo o que é necessário, que seja. E que nos mantemos fieis a sempre Santa Igreja.

          Precisamos rezar por nossos pastores. Precisamos rezar pelo Papa. Precisamos rezar pela Igreja. Cristo precisa ser conhecido por toda humanidade. Mas isso não significa que ele será aceito, as vezes ele é aceito mas não é reconhecido pelos próprios membros da sua Igreja.

          VIVA CRISTO REI
          VIVA A IGREJA DE CRISTO
          VIVA O PAPA